Comunicação acessível: dicas para se comunicar melhor com seus clientes/seguidores


Para tratar o mês da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, convidamos a jornalista e comunicadora Flávia Machado para falar sobre como melhorar a experiência do consumidor nas redes sociais, independente da sua necessidade.


Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Unesp e mestra em TV Digital também pela Unesp, a Flávia é uma grande amiga e desde a faculdade sempre se dedicou ao tema.


Ela trabalha e estuda Acessibilidade Audiovisual há mais de 10 anos, sendo a maior parte deles coordenando a equipe de Acessibilidade da TV Aparecida. Além disso, desde 2017 empreende nessa área com a Tela Acessível, cuja inspiração é promover o respeito, a inclusão e a comunicação acessível para que produtos audiovisuais dialoguem com o maior número de pessoas possível.




Quer saber o que ela tem de bom para acrescentar ao seu negócio? Continue lendo esse artigo...

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Comunicação Acessível o ano todo

por Flávia Machado


O mês de setembro é lembrado como o mês dedicado à inclusão de pessoas com deficiência aqui no Brasil. Mas, para além do dia 21 de setembro, Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, milhões de brasileiros deveriam ser lembrados como cidadãos, trabalhadores, produtores de conteúdo, consumidores e seguidores.

E para que essa visibilidade de fato ocorra, um dos caminhos é tornar a comunicação mais acessível para que pessoas com deficiência, principalmente sensorial e intelectual como pessoas cegas, pessoas surdas, pessoas neurodivergentes, possam ter as mesmas oportunidades de interação que uma pessoa sem deficiência.


Por onde começar?


Um primeiro passo é compreender que vivemos em uma sociedade capacitista e nela as pessoas com deficiência ainda são vistas como pessoas inferiores em relação às pessoas sem deficiência. As pessoas com deficiência sofrem preconceito e discriminação por causa da deficiência!


Então, podemos iniciar nos questionando: quando eu vejo, converso, ouço uma pessoa com deficiência, eu estou interagindo com a pessoa ou com a deficiência daquela pessoa?


Vendo a pessoa primeiro, a gente avança no entendimento de que não devemos usar termos como “deficiente”, “portador de deficiência”, “pessoa especial”, pois a pessoa não é “ineficiente”, também não “tira ou coloca” a deficiência a qualquer hora, como um óculos, ou tão pouco pode ser considerada “especial” só por causa da deficiência. Por isso, que tal nos “relacionarmos com” e “escrevermos sobre” uma “pessoa com deficiência visual”, ou um “cliente surdo”, ou uma “seguidora com trissomia 21”?


O segundo ponto importante é: a acessibilidade é uma trajetória sem fim. Ou seja, cada vez mais ela é entendida como a criação de soluções que podem ser melhoradas constantemente. Assim, uma Comunicação Acessível deve ser praticada e aprimorada todo dia, o ano todo.


Como praticar uma Comunicação Acessível nas redes sociais?


As redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, Linkedin e outras tantas vêm investindo em novas ferramentas para tornar a comunicação e a interação de seus usuários mais acessíveis.


As atualizações nessas redes sociais estão em constante evolução buscando, por exemplo, automatizar a produção de legendas automáticas e de descrições de imagens. Mas, fique atento!


Em muitos casos, ao invés de facilitarem a comunicação, essas automatizações podem criar ruídos. Por isso, é importante conferir e, na maioria dos casos, corrigir essas legendas automáticas e as descrições de imagens para os seus clientes/seguidores. Uma vez com a versão corrigida, lembre-se de deletar a versão automática para que ela não seja mais acessada.


Dicas para uma boa descrição de imagem:


> Faça a descrição focando no contexto do uso da imagem na postagem. Se você está vendendo uma roupa, descreva com detalhes a roupa, e não a modelo ou o cenário em que a foto foi tirada.


> Repita a descrição da imagem no campo do texto alternativo e na postagem para que pessoas com baixa visão possam acessar o conteúdo, pois pessoas cegas usam o leitor de tela que lerá o texto alternativo, e pessoas com baixa visão usam outras tecnologias assistivas para poder ler a postagem.


> Por enquanto, você precisará copiar o texto alternativo da imagem em cada postagem de cada rede social.


> O texto alternativo automático do Facebook pode ser um auxílio para iniciar a descrição, mas ele somente não basta. Corrija este texto levando em consideração a primeira dica.


> Use as #PraCegoVer e #PraTodosVerem nas duas postagens, pois elas servem como mecanismos de busca. Alguns seguidores cegos as usam para buscar materiais que tenham texto alternativo.


> Use no corpo da postagem a seguinte sequência:


1.Texto do post;

2.#PraCegoVer e #PraTodosVerem com descrição da imagem;

3.Hashtags do post ;


Então, bora praticar?